Entrevista com Josh Malerman, autor de "Caixa de Pássaros".






O estreiante Josh Malerman, escritor de "Caixa de Pássaros", estará na bienal, neste domingo(13/09). Mas antes dele embarcar para o Brazil, ele respondeu algumas de nossas perguntas. Confira a entrevista logo a baixo!

Como você começou a escrever?

JM- Eu sempre fiz isso, e sempre amei. Eu tentei e escrevi meu primeiro livro quando eu tinha 10 anos de idade. Eu não terminei, mas eu queria que eu tivesse terminado. Depois eu escrevi história em quadrinhos com os meus amigos, poemas estranhos e sombrios, contos, entre outros. Entre meus 19 e 29 eu "falhei" em escrever 5 histórias. E quando eu digo que falhei, eu quero dizer que elas estão inacabadas.Foi um período assustador porque eu acreditava verdadeiramente que eu ia conseguir, eu realmente acreditava que um dia eu escreveria dúzias de livros, e ainda assim eu não estava conseguindo dar conta. "Então, quando eu tinha 29 anos de idade, eu tive um avanço; cheguei a rascunhar 300 páginas e era capaz de enxergar o final em frente. Eu estava em uma cafeteria perto de Detroit e eu me levantei da minha cadeira e apontei pro manuscrito e disse, "Cara! Eu vou terminar esse aqui! Eu vou acabar!” E eu terminei. E tem sido um maremoto/dilúvio desde então."



Por que você escolheu escrever um livro de terror?

JM-Não foi exatamente uma "escolha". É apenas o que me entusiasma, me excita. Eu estou em uma dieta rígida só de terror há anos. É familiar pra mim. E eu acho que a razão por que eu amo terror tanto assim é porque eu acredito que todas aquelas histórias estranhas são possíveis. Eu acreditava nelas quando eu era criança e eu acredito nelas agora. Terror, pra mim, é a imaginação sem limitações, com as luzes enfraquecidas, óbvio


Então, você também é um músico e eu tenho certeza que a música influencia a sua escrita. Mas como isso funciona para você? E o que você ouve enquanto escreve?

JM-Eu tenho uma coleção magnífica de vinis de terror... trilhas sonoras de filmes assustadores... e eu os escuto enquanto eu escrevo. É difícil pra mim manter um humor de arrepiar com música pop tocando, sabe? Alguns dos meus preferidos são Under the Skin, Creepshow, e Chopping Mall.

Vamos falar sobre a Malorie! Ela não é a típica heroína que você encontra na maioria dos livros. Como você construiu a personalidade dela? Alguma inspiração da vida real?

JM-Eu acho que de todos os personagens de Caixa de Pássaros, Malorie é a que mais se parece comigo. Se eu fosse uma daquelas pessoas da casa, eu imagino que eu agiria da mesma forma que ela fez. A única diferença é que eu não posso engravidar...então qual é a minha desculpa? Eu não sei. Eu me pergunto as vezes, se Malorie não estivesse grávida, será que ela seria mais corajosa? Será que ela rasgaria a venda e andaria pelas ruas? Eu acho que ela faria isso.


Eu sei que autores encaram suas criações de uma maneira um pouco diferente dos leitores e o oposto também é verdade. Então, como você vê a Malorie? E, levando em conta o que você sabe, como o público a enxerga?

JM-Eu imagino que as pessoas que leem a enxergam como uma ótima mãe. Justificadamente paranoica. Justificadamente sufocante. Quando os livros começam quase sempre tem uma sensação de que ela é abusiva; o jeito que ela os faz dormir debaixo de uma tela e não deixa que eles saiam. Mas ela só tá fazendo o que ela tem que fazer. Eu amo isso nela. Eu amo que, apesar das emoções em guerra dentro dela, ela basicamente consegue fazer o que tem que precisa. Ela meio que escorrega pelas rachaduras, rachaduras por onde outras personagens não conseguiriam passar. De certa forma, eu acho que engravidar a salvou; a colocou em uma posição onde ela tem que continuar mais profundamente nas sombras do que o Tom teve que ficar.

Todos os leitores estão morrendo de curiosidade sobre as criaturas. Como você as imaginou? O que você pode dizer sobre elas?

JM- Eu sei tanto quanto a Malorie com relação as criaturas.

Esse é seu primeiro livro, como você se sente por se tornar um dos autores mais vendidos com o seu primeiro trabalho?

JM-Parece loucura, cósmico, irreal, muito real, reconfortante, desafiador, empolgante, e maravilhoso. Durante muitos anos eu viajei por uma ilusão que eu mesmo tinha criado em que eu me entrevistava, tinha conversado com editores imaginários, publilcado livros que ainda não existiam, e mais. Eu adorava ficar lá, no meu delírio. Mas ver essas coisas acontecerem é semelhante ao sentimento de quando você sonha com alguma coisa antes dela acontecer. Eu não poderia estar mais grato do que eu estou.


Uma pequena mensagem para seus fãs brasileiros que estão doidos para te conhecer na Bienal?

JM-Bem, primeiramente, além do Canadá, eu nunca tinha estado fora dos Estados Unidos antes. Então, vir ao Brasil foi muito importante pra mim! Eu espero que a gente consiga se reunir com todo mundo e conversar sobre livros, histórias de terror, comer junto, sair, e sermos nós mesmos. Eu tô muito empolgado pra isso. E MUITO OBRIGADO, pessoas leitoras do Brasil, por fazer uma fantasia minha se transformar em algo que eu posso pegar, que eu consigo sentir o gosto, algo que eu posso até ler e escrever sobre, também.

Tradução: Hypia/Renata

3 comentários :

  1. Oi meninas!
    Que simpático o autor! Ainda não li Caixa de Pássaros, mas sempre vejo apenas elogios. Gostei muito de saber mais sobre o autor, a entrevista ficou ótima. :)
    beijos ♥
    nuclear--story.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Ele é muito simpático mesmo :) Leia sim, o livro é ótimo! Ainda essa semana sai a nossa resenha sobre ele :)

      Excluir
    2. Olá!

      Ele é muito simpático mesmo :) Leia sim, o livro é ótimo! Ainda essa semana sai a nossa resenha sobre ele :)

      Excluir