[Resenha] Os Segredos de Colin Bridgerton, de Julia Quinn



Os Segredos de Colin Bridgerton (Livro 4)
Autor: Julia Quinn
Coleção: Os Bridgertons 
Páginas: 476

Editora: Editora Arqueiro
Sinopse: Há muitos anos Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres. Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade.
Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum.Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente.
No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.
E chegamos ao quarto livro da série dos Bridgertons!

Antes de qualquer coisa preciso confessar que esse é o meu livro favorito da série, pois traz os melhores personagens de todos os livros: Penelope e Colin.

Penelope Featherington está presente desde o primeiro livro (O Duque e Eu), no qual é descrita como uma menina tímida, gordinha, cujas irmãs mais velhas são duas idiotas e cuja mãe possui um péssimo gosto para vestir as filhas(além de ser idiota e deixar bem claro que Penelope não é sua filha preferida). Junte todos os ingredientes acima e você tem uma vítima recorrente dos periódicos de Lady Whistledom.

Outra vítima recorrente, mas por motivos bem distintos, é Colin Bridgerton, o terceiro filho da família alfabeticamente ordenada. Como seus irmãos mais velhos, Colin tem a beleza dos Bridgertons, adicionados a um par de olhos verdes e um sorriso encantador, que deixa toda a porção feminina da sociedade londrina suspirando. (E talvez uma parte da masculina também...)

Enquanto Anthony é o responsável e Benedict o sonhador, sobra para Colin a função de ser o extrovertido, o mais despreocupado dos irmãos, razão pela qual ele passa diversos meses viajando por todo o mundo.

Entre o 1º e o 4º livro há uma passagem de 10 anos, e Penelope não é mais a garota gordinha de anos atrás (Já havíamos descoberto isso em "O Visconde Que Me Amava"), ela agora decide suas próprias roupas e não é mais obrigada a ficar à beira da pista esperando que alguém (geralmente um Bridgerton) viesse tirá-la para dançar. Afinal, Penelope já tinha 27 anos! E já era considerada uma solteirona pelos padrões da época. (Bate aqui, Penélope! É nois!)

Colin já passava dos 30, e isso só aumentava a pressão de sua mãe para que ele se casasse, já que ambos seus irmãos casaram-se antes desta idade. Mas, logicamente, enquanto Penelope era descartada como esposa em potencial, por estar velha demais aos 27 anos, Colin era tido como o solteiro mais cobiçado da temporada.

Colin retorna a Inglaterra depois de uma longa temporada no Chipre, e enquanto não arruma uma nova acomodação de solteiro, ele fica morando com a mãe, o que o aproxima ainda mais de Penelope, que é uma grande amiga da família e melhor amiga de suas irmã Eloise.

Claro que Penelope e Colin não são desconhecidos, mas essa nova aproximação faz com que eles se tornem amigos pessoais, ainda mais depois que  -sem querer querendo - Penelope lê algumas páginas do diário de viagens do Colin.  Primeiramente, ele não gosta nem um pouco dessa intromissão, até porque seus diários são pessoais, e ele não gosta que ninguém os leia. Com o tempo, ele acaba abrindo uma exceção para a Penelope.

Em meio a isso tudo, está acontecendo uma verdadeira caça às bruxas na sociedade londrina, ou seria melhor dizer, caça à fofoqueira? Lady Danbury anunciou que daria mil   libras para aquele que descobrisse a verdadeira identidade de Lady Whistledom. Todos querem descobrir quem é a grande fofoqueira do século, não só pelo dinheiro, mas também pelo prestígio da descoberta. Por outro lado, a mulher (ou o homem) que assumiu a identidade de Lady Whistledom pode estar em sérios apuros, pela possibilidade de cair na desgraça da sociedade. Afinal, Lady Whistledom nunca poupou ninguém.

Dos quatro primeiros livros, Penelope e Colin são os quem têm a história mais crível e mais plausível. Certo, alguém pode dizer que não existe história mais clichê do que o patinho feio que se torna um cisne e consegue conquistar o cara mais lindo da sociedade. Eu não discordo, é clichê! Eu gosto de clichês! Mas a maneira como o clichê foi apresentado e a maneira da construção dos personagens tornou-se uma combinação perfeita.

O medo de Colin de não deixar nenhum tipo de legado, de não ter nenhum talento, é o mesmo medo que os jovens acima dos 25 hoje enfrentam. Mesmo tendo uma carreira, eles se questionam se fizeram a escolha certa, sentem medo da mudança, mas também se sentem inquietos com a posição atual. O Colin é a representação da geração Y em pelo século XIX. E o que dizer do receio que ele tem ao deixar outras pessoas lerem seus diários? Quem é escritor sabe, o quanto sua obra é pessoal e o quão assustador é submeter sua obra ao escrutínio de outros. (Achei bem mais plausível que o medo do Anthony, por exemplo)

E a Penelope? Ela começa como uma garota tímida, que se transforma numa mulher independente e segura de si, bem a frente do seu tempo. Penelope supera todas as outras mocinhas no quesito atitude e independência. E claro que ela tem seus medos e segredos, e teme em como isso pode afetar Colin e sua família.

E sabe o que é mais legal? Ver como Colin e Penelope se apoiam apesar de tudo. Cada um conhece os medos, segredos e defeitos um do outro. Mas eles se respeitam, se apoiam e se amam acima de tudo <3 Como não amar um livro assim?







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