[Resenha] Entre o amor e o silêncio, Babi A. Sette.



Título: Entre o Amor e o Silêncio
Editora: Novo Século
Autor:Babi A. Sette Páginas 504

Sinopse: Francesca Wiggs sofreu uma grande decepção amorosa e, desde então, está decidida a não se relacionar mais. Além de se dedicar a escrever o seu livro, ela resolve preencher os dias com um trabalho voluntário – a leitura para pacientes em coma proporcionaria a ela a distância de problemas afetivos. No entanto, um grande imprevisto ocorre quando ela passa a se sentir atraída por um dos pacientes. Mitchell, descrito como um poderoso magnata, seria a antítese de tudo o que ela busca em um homem... se não estivesse em coma. Precisar de alguém inconsciente seria um absurdo, não seria? Amar uma pessoa que nunca responde parece loucura! Francesca já havia entendido e sentia-se quase segura diante disso. Mas e se Mitchell acordasse? A aproximação desses personagens tão diferentes revela um romance encantador e divertido, repleto de reviravoltas.



Olhando a sinopse do livro, a ideia que se tem é que esse será aquela típica história de amor: a garota conhece um cara, que neste caso está em coma, ela se apaixona por ele, ele acorda e fica maravilhado ao ouvir a voz que permeou em sua mente nos momentos mais nebulosos, ele se apaixona por ela e todos vivem felizes para sempre.

Sim, essa poderia ter sido uma história de amor comum, se não fosse escrita por Babi A. Sette. Porque uma coisa eu aprendi nessa vida: se a Babi está envolvida, os clichês tendem a ficar distantes do livro.

No início do livro, Franccesca está sofrendo com o término de seu relacionamento com Vince, um diretor de teatro, pois ela tinha descoberto a traição dele. E que mesmo ele jurando que aquela tinha sido a primeira e última vez, ela achava bem difícil de acreditar. Mas as feridas de Franccesca são bem mais profundas do que um relacionamento que não deu certo. Remete ao pai, ou melhor, ao abandono dele. Do quanto ela aguardou por ele durante a infância, e o quanto aguardou até mesmo durante a adolescência. Apenas para descobrir que ele tinha tido uma outra família e que, de fato, não se importava com ela.

Para tirar sua cabeça do término, Franccesca decide trabalhar voluntariamente num hospital, fazendo leitura para pacientes que não podem ler. No caso dela, ela é designada a Mitchell, um paciente que está em coma há alguns dias. Francie, que é escritora, lê para ele trechos do seu livro inacabado, enquanto vai reescrevendo e editando o mesmo. O que era para ser um trabalho esporádico, acaba tornando-se uma obsessão à medida em que Francie vai se interessando pela vida de Mitchel e tenta procurar novos meios de ajudá-lo a recuperar a consciência. Não demora muito para que ela se apaixone por ele. Seus melhores amigos dizem que isso não é muito saudável, ela passar o dia todo, todos os dias, dentro de um hospital. E depois de muito relutar, ela acaba indo passar uns meses na casa da mãe. Quando ela retorna à Nova York, ela recebe a maravilhosa notícia de que Mitchell tinha acordado e que estava praticamente sem sequelas! Francie corre para vê-lo e contar para ele que passou meses a fio ao seu lado, fazendo de tudo para ajudar na recuperação. E que ela estava ali, disposta a ajudá-lo em muitos outros aspectos se ele assim permitisse. Mas ao invés da recepção acalorada que ela esperava, Mitchell a tratou friamente e a expulsou de seu quarto.

A reação dele foi um verdadeiro baque para Francie, que caiu em depressão. Antes que você jogue pedras reclamando da mocinha ter caído em depressão só porque o mocinho a esnobou...pode ir parando por aí! Ao ler o livro, você percebe o quanto as feridas de Francie, aquelas da infância, ainda estavam expostas e nem um pouco cicatrizadas. Você consegue entender o quanto ela projetou o relacionamento com o pai e com Vince na idealização de um homem que não podia corresponder a seus sentimentos, pois estava em coma. 

Mas a vida de Mitchel também não é um mar de rosas. Antes do acidente, ele vivia para a empresa, trabalhando quase que 24 horas por dia. Tanto que deixara seu hobbie preferido de lado, a pintura.

Mas depois do acidente, ele começara a ter sonhos, sonhos que contavam histórias de pessoas que ele nunca tinha conhecido, mas que incitavam alguma coisa dentro dele. Então Mitchell se levantava no meio da madrugada para pintar aquelas visões que tanto o atormentavam. O curioso é que essas visões eram sempre narradas pela mesma voz. Uma voz que ele não sabia de quem era, mas que mesmo assim estava presente em sua mente.  

Mithcell fica ainda mais surpreso quando descobre que essas histórias estão num livro, um livro que foi publicado recentemente. Um livro que ele nunca tinha lido, mas que tinham lido para ele. E com essa constatação, ele percebe que precisa ir atrás daquela autora, daquela pessoa que eu leu para ele no hospital.



Entre o amor e o silêncio não é apenas um livro de romance. É um livro que mostra o quanto nossas atitudes passadas, ou as ações de outros, refletem na nossa vida e atitude por um bom tempo.  



1 comentários :

  1. Hey,Renata!
    Uau!! Que resenha maravilhosa!
    Eu sou louca para ler esse livro por motivos de, eu amo a capa, nunca li nada da autora e a ideia de ler para alguém em coma, e fascina! rsrs.
    Sua resenha me fez passá-lo na frente de um monte de leituras, vou lê-lo pra ontem! Era exatamente o que eu buscava... E a Babi é um amor né?
    Adorei esse mistério que permeia a história e já vi que vou amar! Só o fato da mocinha ter suas feridas próprias e mesmo assim, não desistir do amor...
    Vou ler em breve!! Quando eu terminar, te conto o que achei ;)
    Indiquei o blog em uma tag: http://entreumlivroe-outro.blogspot.com.br/2016/09/tag-versatille-blogger-award.html
    Mil beijokas!

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