Love Yourself: Her x Tear


O próximo álbm do BTS, Love Yourself :Answer, será lançado nessa Sexta, 24/08. Como este novo álbum será o desfecho da trilogia Love Yourself, eu decidi fazer uma pequena análise de algumas músicas dos álbuns anteriores.Bem,  eu não sou nenhuma crítica musical e nem tenho qualquer especialidade na área, mas ouvindo as músicas eu pude notar alguns paralelos e decidi escrever esse post. Eu baseei algumas das minhas análises nos comentários encontrados lá no site Genius.





Ambas as músicas são as Introduções dos álbuns e são elas que ditam as cores que o álbum terá, por assim dizer. 


Serendipity é uma música leve, que fala sobre se apaixonar. Quando nos apaixonamos, é como se víssemos tudo por uma nova ótica, tudo parece mais bonito e diferente, apenas porque estamos amando. Esse amor também pode representar uma cura, ou solução, para os problemas do dia-a-dia. A pessoa amada se torna o seu mundo e começamos a enxergar tudo através de "lentes cor-de-rosa". Tudo é maravilhoso e perfeito, por causa dessa pessoa.


Singularity nos traz o fim desse amor. A relação está rachada, partida. A música é sobre perder seu verdadeiro eu, esconder quem você é, calar sua voz por causa de alguém que se ama. É como tentar ser perfeito para alguém, mas nesse processo, perder sua própria identidade. 






Em DNA nós somos apresentados ao lado bom do amor. Embora o casal seja diferente, tudo dá certo entre eles, porque o amor deles é real. E o protagonista acredita tanto nesse amor, que é como se esse sentimento por essa pessoa, fizesse parte do seu DNA. É forte, verdadeiro e imutável. 


Fake Love vem para jogar todo esse idealismo por terra. Enquanto o amor em si é perfeito, nem todo amor atinge essa perfeição e há um lado doloroso nesse sentimento, que muitas vezes é ignorado. Continuando a ideia em Singularity, a música fala sobre como perder a si mesmo por causa de um relacionamento. O protagonista teve que esconder seu eu verdadeiro por causa dessa pessoa, esconder seus sentimentos para que a pessoa o aceitasse. 





Best of Me continua a linha de pensamento em Serendipity e DNA e a felicidade de encontrar o amor e ser correspondido. Essa nova pessoa se transforma no mundo para quem a ama e essa pessoa também tem o melhor do protagonista. Ele mostra seu melhor lado, o que ele tem de melhor, para essa pessoa que ele tanto ama. E justamente por isso, ele pede para que a pessoa não o deixe. Parece que há uma insegurança do protagonista de que, se aquela pessoa for embora, o lado bom dele vai junto. 


Eu vejo The Truth Untold como uma continuação desse amor. O protagonista está num relacionamento, mas se sente solitário. Ele compara sua situação a estar preso num castelo de areia, que logo irá se desfazer. Apesar do amor que ele sente ser real, ele se esconde atrás de uma máscara quando vai se encontrar com a pessoa (apenas mostra o seu melhor lado). O protagonista está com medo e despedaçado, ele acredita que seu verdadeiro eu é um monstro e que quando a pessoa amada vê-lo por completo, enxergar  todos os seus lados, vai abandoná-lo no final. É como se o protagonista tivesse ficado preso nesse ciclo vicioso de só mostrar o seu melhor lado para quem se ama, e agora ele conseguia ver o quanto isso o estava destruindo, mas mesmo assim, ele não conseguia ser verdadeiro, pois ainda tem receio de que a pessoa amada vai deixá-lo no fim.






Dimples é uma das músicas mais simples de LY: Her. Fala apenas sobre a paixão dele sobre uma menina que possui covinhas e que mesmo esse romance sendo impossível, devido a diversos fatores (afinal ela é a illegirl ou garota ilegal), ele está tão apaixonado que ele a quer do mesmo jeito. Se a gente analisar a indústria do entretenimento coreano, a gente sabe que para um idol assumir um romance é muito difícil, tudo tem que ser escondido. Há também aqueles que encaram essa música, como sendo uma música para as fãs, que são proibidas para eles, mas que mesmo assim algumas podem chamar a atenção deles ou algo do tipo. Seja qual for o sentido dessa música, uma coisa é certa: ele está apaixonado e não vai medir consequências para buscar esse amor. 

Em 134340, nós chegamos ao término dessa relação. O número 134340 é o número que Plutão recebeu quando foi rebaixado ao posto de Planeta-Anão. A música é cheia de metáforas comparando o protagonista a Plutão e o objeto de seu afeto ao sol. E que agora, mesmo que para o sol ele não era mais um planeta, mesmo assim ele girava em torno dele. E mesmo que após um término, a pessoa amada pode continuar sendo nosso sol, mesmo quando não somos nada para ela, mesmo assim a vida continua seu curso, os planetas continuam girando ao redor do sol e, tirando a ausência daquela pessoa, nada mais mudou na sua vida. 




Ambas são múscias que eles escreveram para as fãs, mas as duas têm conotações bem distintas.

Em Pied Piper, o BTS compara a si mesmos com o Flautista de Hamelin, que encantava as crianças com sua flauta.  Eles sabem que as fãs podem passar tempo demais consumindo tudo o que eles produzem, e acabar negligenciando coisas que deviam ter prioridade em suas vidas. Em diversos trechos, eles pedem para as fãs pararem de assistirem os vídeos e se concentrarem nos estudos. Interessante, é que no refrão eles falam que são perigosos, mas doces e que eles podem ser a salvação ou a ruína. Claramente, o efeito que a música deles vai ter na sua vida dependerá do seu equilíbrio. Eles podem trazer algo de positivo para você (ser a salvação) ou essa obcessão pode te impedir que você tenha uma vida (ruína).


Já em Magic Shop, eles agradecem por tudo que as fãs fazem por eles. Eles reconhecem que sem o apoio desses fãs, as conquistas deles seriam impossíveis. É interessante ver que  eles encaram os fãs como seu ponto de equilíbrio e como alguém para reconfortá-los quando eles estão mal. E isso é uma coisa recíproca, já que eles fazem o mesmo pelos fãs através de suas músicas ou programas. Ao abrir nosso coração, nós nos conectamos ao amor e a compaixão, nós conseguimos ter empatia pelos outros e com isso conseguimos nos encontrar. No teaser de Fake Love aparece a frase : Magic Shop is a psychodramatic technique in which the participant trades in their fears for happiness.” (Magic Shop é uma técnica psicodramática em que cada participante troca seus medos por felicidade)  A verdade é que eles são nossa magic shop tanto como nós somos as deles. 





Mic Drop veio para esse álbum substituindo os Cyphers da vida. Essa foi a música que o BTS usou para responder aos haters que vivem criticando-os pelas mais diversas razões. A música já começa coma a famosa analogia entre o status social e as colheres, amplamente usado na coreia. Como muitos sabem, BTS veio de uma empresa pequena na Coreia, e no início da carreira, foram menosprezados pela mídia e pela sociedade em geral. Em contrapartida, a música deles se espalhou para fora da península e muitas pessoas se identificaram com suas letras e alavancaram o seu sucesso, tornando-os conhecidos não apenas no mundo todo, mas dentro do país que antes os rejeitavam.


Airplane pt.2 tem uma ideia muito parecida a Mic Drop, mas de uma maneira muito mais leve. Ao invés de focar nas mensagens negativas que o grupo recebe, eles cantam sobre as dificuldades que enfrentaram no começo, o quanto eles trabalham atualmente e que mesmo que eles estejam no topo das paradas ao redor do mundo, mesmo assim eles não mudaram sua essência e seus princípios.





Go Go traz uma crítica direta a juventude coreana como também a economia daquele país. De uma maneira irônica, a música fala sobre o consumismo exacerbado e na vida escapista dos jovens de hoje em dia - gastando demais e procrastinando ao máximo. A música ainda fala sobre a falta de paciência que os jovens tem em economizar para conseguir qualquer coisa, e que o lema de "viver hoje pois não há futuro" é quase unânime. É o perfeito retrato da juventude hedonista atual.


Anpanman vem numa vertente bem diferente. Anpanman é um super-herói japonês da década de 70, cuja cabeça é um pão doce recheado com geleia. Logo no início, o protagonista fala que ele não ter bíceps,  nem um tanquinho (o ideal de corpo perfeito) e nem um super carro como o do Batman (o ideal materialista). E enquanto esses ideais que a sociedade nos empurra pode até ser uma fantasia para ele, na realidade tudo o que ele tem a oferecer é o pão (ou seja, o básico para a vida). E mesmo fugindo do padrão estético e financeiro que a sociedade nos impõe (ser um super herói), ele ainda pode prover o básico para a vida (ser um herói). Essa música vem estabelecer o gritante contraste entre a juventude hedonista e aquilo que o BTS acredita. Apesar de todo o sucesso que eles estão fazendo e do amadurecimento natural que vem com o tempo, bem lá no fundo, eles ainda são os mesmos meninos lá de 2013. Eles não nos prometem o mundo, mas eles nos prometem ser nossa força. E quem nunca se sentiu melhor só de ouvir uma música deles, não é mesmo?





Embora o rap de Outro: Her seja mais leve que do álbum mais recente, as letras não são tão leves assim, afinal, ele é quase um introdução ao LY: Tear. A música fala sobre encontrar um novo eu, em acreditar no amor, e no quanto ele deseja ser  o melhor para essa pessoa e que, justamente por isso, ele coloca uma máscara. E a pessoa por trás da máscara, é a pessoa que ninguém mais conhece. Ninguém quer mostrar seu pior lado, todos querem ser amados. Porém, todos nós usamos máscaras em todos os nossos relacionamentos: algumas máscaras são o retrato quase perfeito do nosso rosto, e quando tiramos essa máscara, as pessoas quase não percebem a diferença. Mas, às vezes, temos tanto medo de nos magoar ou de magoar a outros que começamos a usar uma máscara bem diferente das nossas feições. Para proteger nossos sentimentos, nos tornamos irreconhecíveis.  


Já em Outro: Tear, ele fala sobre esse relacionamento que acabou e sobre a dor e o sofrimento que ficou, como agora ele precisa lidar consigo mesmo, sem aquela máscara que escondia suas verdadeiras emoções, medos e anseios. Tear oferece o gancho perfeito para o último álbum que finaliza essa trilogia. Enquanto em Her o dilema é entre esconder seu verdadeiro eu em prol desse amor, em Tear esse relacionamento já chegou ao fim. Geralmente, em términos as pessoas se isolam, se fecham em seu sofrimento e, sozinhas, elas finalmente podem libertar suas verdadeiras emoções. Sim, agora sem as máscaras, tudo o que resta é o seu eu verdadeiro e é nesse momento introspectivo que as pessoas aprendem a lidar com elas mesmas, elas aprendem a conhecer elas mesmas. E com esse conhecimento, vem o entendimento e a aceitação para que, enfim, as pessoas possam amar a si mesmas. Afinal, como podemos nos amar se não nos conhecermos? 


Que venha Love Yourself: Answer!




  







1 comentários :

  1. Eu me sinto bem perdida quando o assunto são essas bandas, mas o post tá incrivelmente bom e bem escrito. Preciso me atualizar com música haha

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