The Lizzie Bennet Diaries



É uma verdade universalmente conhecida que que Orgulho e Preconceito faz um grande sucesso entre os fãs literários. E também é um fato bastante conhecido que, em seus mais de 200 anos de vida, essa obra já foi adaptada diversas vezes. Entre as suas adaptações mais famosas estão: a série de TV da BBC, com o Colin Firth (1995); o filme com a Keira Knightley (2005) e o livro (e posteriormente o filme) Bridget Jones (1996). E em 2012, Bernie Su e Hank Green (sim, é o irmão do John Green) criaram uma adaptação digna de entrar nesse hall : The Lizzie Bennet Diaries, uma webserie que foi transmitida pelo Youtube. 


Nesta adaptação, Lizzie (Ashley Clements) é a filha do meio da família Bennet. Jane (Laura Spencer), sua irmã mais velha, trabalha com moda e é conhecida por todos na vizinhança devido a sua doçura, beleza e ótimo temperamento. Lydia (Mary Kate Willes), a caçula da família, cursa Administração na faculdade e é o extremo oposto da irmã mais velha, sendo conhecida pelo seu jeito expansivo e um tanto irresponsável. Lizzie, com seus 24 anos, está terminando seu Mestrado em Comunicação e, assim como suas irmãs, ainda moram na casa dos pais. Isso pode parecer um tanto incomum, já que culturalmente falando, os jovens americanos (em sua maioria) saem de casa ao completar a maioridade. Mas mais do que um cômodo subterfúgio encontrado pelos autores, a residência conjunta das irmãs Bennet foi uma grande crítica social aos problemas que muitos americanos estavam vivendo. 


Em 2008, os Estados Unidos enfrentou uma grave crise econômica e que, de maneira bem resumida, teve como sua maior vítima (e vilão), o mercado imobiliário. Desde então, o preço das moradias vem sendo uma reclamação recorrente entre os Milennials (pessoas que nasceram entre 1980 e 1999, também conhecidos como Geração Y). A verdade é que essa bomba imobiliária estourou justamente quando grande parte dessa geração, estaria saindo de casa. Só que muitos jovens tiveram (e ainda têm) seus sonhos frustrados, devido ao alto custo de moradia. 

Como parte do seu trabalho de conclusão, Lizzie começa um Vlog no Youtube, onde ela conta sobre seu as coisas que acontecem no seu dia-a-dia e também nos da sua família. Ela aproveita esse caso de estudo, para estudar a produção de conteúdo para internet como forma de comunicação, mídia e entretenimento. Só que Lizzie não faz um vlog como uma pessoa normal faria, apenas sentando em frente a uma câmera e falando sobre seu dia. Não! Ela decide encenar os acontecimentos e sempre acaba sobrando para alguém contracenar com ela e, geralmente, esse cargo fica para a melhor amiga de Lizzie, Charlotte Lu(Julia Cho). E é nesse formato que toda a trama de Orgulho e Preconceito é contada. À medida que a história vai avançando, mais personagens vão aparecendo nos vídeos. Então, não se preocupem, existe um Darcy (Daniel Gordh) para todos suspirarem!




A websérie  é uma adaptação perfeita para os dias atuais e conseguiu traduzir todo o desespero das mulheres do século XIX, que buscavam por um bom casamento, para a luta que as mulheres dos nossos dias enfrentam para conseguirem alcançar seu lugar no meio acadêmico ou no mercado de trabalho. E acho muito válido mostrar duas facetas dessa luta, nas escolhas de Charlotte e Lizzie. Na obra original, Lizzie Bennet é uma criatura sonhadora e passional, tanto que ela declara que apenas um forte amor seria capaz de fazê-la se casar. Convenhamos, que essa postura não era nem um pouco comum naquele tempo.  Em contra partida, Charlotte Lucas, que vive uma vida semelhante à de Lizzie, é muito mais prática e não se importa em abdicar de seus sonhos em troca de algo mais seguro e imediato. E esse contraste foi muito bem adaptado na série. Mesmo vivendo as consequências de uma crise econômica, Lizzie não abre mão dos seus sonhos acadêmicos e profissionais. Enquanto Charlotte e seu senso prático, privilegiam o emprego que resolverá a maioria de seus problemas. 




Mas é na adaptação de Lydia Bennet que a série, devera, mostra seu brilhantismo. Ouso dizer que com relação a esta personagem, os criadores da série conseguiram ser melhores que a própria Jane Austen, por terem tirado Lydia de seu rótulo fútil e ter lhe dado profundidade e nuances que faltam à original. Eu não vou entrar em muitos detalhes com relação a Lydia nesse post, pois pretendo discutir mais sobre essa personagem num futuro não muito distante. 




O elenco é maravilhoso e eles conseguiram captar a verdadeira natureza dos personagens originais e nos entregarem uma atuação honesta e brilhante. O roteiro também é impecável, combinando e equilibrando muito bem os momentos de  humor e drama. Embora seja uma adaptação de uma obra escrita há mais de 200 anos, The Lizzie Bennett Diaries traz uma narrativa muito atual e sustenta muito bem a história, mesmo para aqueles que nunca tiveram contato com o material original. 

Onde assitir: Youtube



0 comentários :

Postar um comentário